Essa Coisa das Praxes

Já não consigo ver telejornais! A história é sempre a mesma, praxes para aqui, praxes para acolá. Não me queria pronunciar, pois já estou tão farta da parvoíce das pessoas que já nem paciência arranjava para escrever sobre este assunto. Prezo, no entanto, em saber que não sou a única a partilhar de uma opinião formada há muito tempo.

Fui praxada em 2007, na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, na altura ainda da UTL. A praxe consistiu num pedipaper em que cada estação correspondia a um desporto, a uma disciplina ou a um curso da faculdade. Como é lógico, sendo a FMH uma faculdade de desporto, estão proibidas praxes que atentem contra a integridade física dos alunos, bem como proibidas praxes que os humilhem (pelo menos na altura era assim). Depois do pedipaper fomos batizados na praia da Cruz Quebrada, tivemos lá a fazer umas palhaçadas e depois levámos com a famosa “nhanha” (feita de farinha, água, oleo, especiarias, etc) na cabeça, tivemos que mergulhar para tirar aquilo do cabelo. Antes disso, lembro-me que tiveram que se deitar no chão ao lado uns dos outros e alguém passava em cima das costas; digo “tiveram” porque eu disse que não o fazia, não me ia deitar no chão para passarem em cima de mim, disse que não e pronto fui directamente para a secção da “nhanha”. Ninguém me bateu, ninguém berrou comigo, ninguém estrebuchou. Não me recordo de ter ouvido asneiras durante a praxe; lembro-me, sim, que tivemos que gritar o antigo anúnico do Twix enquanto caminhávamos: “Biscoito!”, “Caramelo!”, “Chocolate!”. Depois do pedipaper, houve um rali tascas, ao qual eu não fui, pois, como moro na margem sul, ficava sem transportes para voltar para casa devido às horas. Quando entrei na Faculdade de Letras não quis ser praxada, não me apeteceu estar a passar por isso outra vez, fui para a FLUL com o simples objectivo de tirar o curso, não chumbar a nada e dar de frosques o mais depressa possível.

Portanto, as praxes não são nenhum monstro, não são más! As pessoas é que são estúpidas. E tanto é estúpido o veterano que humilha o caloiro, como é estúpido o caloiro que se submete a uma humilhação. Vi, no filme que passou na RTP, veteranos a chamarem filhos disto e daquilo aos caloiros… alguma vez eu iria admitir que um badameco me chamasse filha da p*** numa praxe?? Era ele a dizer isso e eu imediatamente levantar a cabeça e espetar-lhes dois estaladões no focinho e ainda dizer: “tou-me a cagar se tás cá há mais anos, tu a mim não me humilhas/chamas isso, nem que tivesses 100 matriculas!”. Mas os meninos hoje parece que não sabem impor-se, têm medo de fazer frente aos “grandes”, que muitas vezes não são grande coisa, porque (alguns) depois estão nas aulas e afinal até nem devem muito a inteligência, daí a quantidade absurda de matriculas (LOL).

É claro que, é bem mais fácil acabar com as praxes do que com a estupidez humana, porque para acabar com esta última era preciso uma reeducação em massa. Sinceramente, a mim tanto se me dá como se me deu, se acabam com as praxes ou não. Apenas gostava que a televisão e outros media deixassem de utilizar a palavra “praxe” para denominar tudo o que é mau, e começassem a culpar a falta de bom senso das pessoas que praticam más praxes e a falta de amor próprio daqueles que as acatam.


Quanto ao que aconteceu no Meco, não faço ideia do que foi, nem quero especular. Uma coisa é certa: ninguém no seu juízo perfeito e com dois dedos de testa vai para a beira da água, numa das praias mais perigosas de Portugal, em pleno Dezembro à 1h da matina!! Eu cá não ia, nem eu, nem qualquer pessoa com amor à vida. E se me tentassem obrigar levavam os mesmos dois estaladões que foram mencionados anteriormente. Quem procura, acha; e eles foram à procura da tragédia. Só tenho é imensa pena das famílias das vítimas. 

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