A Glória é a Salvação [da música pop] (Primeira Parte)

Sou fã assumida de música Pop, podemos dizer que é o meu guilty pleasure. Embora não seja o único estilo musical que aprecio, é de facto aquele em que me sinto mais à vontade para discutir e avaliar.
E quando falamos de música Pop há artistas que não podemos nunca deixar de mencionar, Michael Jackson é um deles, quer se goste, quer não. Se aquele fatídico dia 25 de Junho de 2009 nunca tivesse acontecido, o Rei do Pop faria, no próximo dia 29, 58 anos e foi com isso em mente que decidi escrever este texto.

Nasci e cresci numa época em que ainda não existiam redes sociais, a Internet era algo ainda verdinho. O Youtube da minha altura era a MTV e o VH1: sou daquela geração que não perdia um TRL, um MTV Becoming, um Making the Video, um Story of..., um Diary of.., um The Rise and Rise of, um Behind the Scenes. Um fim de semana inteiro dedicado a um artista? Eu estava lá, colada à televisão. As novas gerações nunca irão perceber o quão mágico isso era.
Portanto, quando eu digo que me sinto apta para avaliar música pop não estou propriamente a exagerar, foram as minhas pré-adolescência e adolescência inteiras a "estudar" os artistas.
E por que é que estou a falar nisto? Porque a Internet trouxe muitas coisas boas para a música, tais como a maior facilidade de divulgação das músicas, o reconhecimento mais rápido de um artista; e, para além disso, permite um contacto com os fãs mais directo. No entanto, também trouxe coisas menos boas (nem vale a pena mencionar a pirataria, que esse assunto já tem barbas brancas), entre elas o facto de tornar tudo mais efémero.
Hoje em dia fazem-se músicas para terem sucesso durante um determinado período de tempo e que ninguém vai ouvir daqui a 10/20 anos. As canções passaram a ter prazo de validade. O objectivo já não é fazer algo com qualidade e que resista às adversidades do tempo, mas sim tornar-se viral, não importa como.

Na última década, a qualidade da música pop tem decrescido nesse sentido: as músicas tornam-se irritantes e insuportáveis para os nossos ouvidos quando passam aquele prazo de validade. E eu pergunto: onde estão as "Billie Jean" da nossa vida? Porque, sejamos honestos, ninguém se cansa daquele baixo maravilhoso, e a música já tem mais de 30 anos! [Já deu para perceber que sou fã de MJ, não já? Ainda bem, porque isso influencia o que escrevo no próximo parágrafo]

Se eu tivesse de escolher um ponto na história em que esse decréscimo se verificou, eu escolheria a morte de Michael Jackson, isto porque eu sinto que foi mais ou menos a partir de 2009 que o comboio começou a descarrilar. O Rei morreu e o povo ficou desorientado. A música pop tornou-se uma anarquia completamente descabida. A própria Rainha ficou um pouco desorientada, atrevo-me a dizer, porque só isso explica o lançamento de uma música óptima, que é "Ghosttown", ter sido seguido da confusão barulhenta, que é "Bitch, I'm Madonna". Estou desconfiada que até a própria Madonna reconheceu a baixa qualidade da música, daí ter chamado umas quantas colegas de profissão para estrelarem no videoclip e tornarem-no viral, o que só prova o que eu disse há dois parágrafos atrás (podem confirmar isto comparando o número de visualizações de cada vídeo no youtube).

Enfim, eu dei por mim sentada num canto do quarto agarrada aos meus CDs de Michael Jackson, Britney Spears e Christina Aguilera completamente desprovida de esperança numa nova viragem de qualidade, com lágrimas a escorrer-me pela cara e sem conseguir conter o soluçar típico de quem desata num pranto (dramatização propositada do texto).  E assim permaneci, até que 2016 chegou como uma lufada de ar fresco e puro.
E quem melhor para nos abrir a janela e nos deixar respirar de alívio senão a própria Princesa do Pop, Britney Spears?

[Outra coisa que a Internet trouxe de chato para o mundo da música foram as constantes brigas entre fãs dos vários artistas, é como se as pessoas de repente tivessem perdido aquela parte do cérebro que nos permite apreciar várias coisas ao mesmo tempo e dar opiniões sem denegrir os outros.

Por isso, para quem anda para aí a dizer que ela não merece ser ou não é mais a Princesa do Pop, vamos lá pôr os pontos nos is:
A Britney Spears é o perfeito crossover entre Madonna e Michael Jackson. Se o casal tivesse dado certo nos anos 80, altura em que andaram a sair, e tivessem tido uma filha, ela seria a Britney (musicalmente falando, entenda-se). Resumindo, se não houvesse MJ e Madonna, não haveria Britney, e se não houvesse Britney, não haveria Lady Gaga, Ariana Grande, Selena Gomez, entre outras mais. Portanto, deixemos os títulos nos seus devidos lugares e parem de inventar onde não há invenção possível.]

Após dois álbuns medianos, pouco orgânicos, cheios de música electrónica e autune, eis que a fénix ressurge das cinzas e nos brinda com um álbum verdadeiramente Pop ao estilo inconfundível de Britney Spears. Estou totalmente de acordo com os fãs que afirmam que In the Zone e Blackout são os melhores álbuns da sua carreira - embora também goste muito de Circus - e Glory terá de ser adicionado a essa lista. Já o ouvi, e a partir do momento que se ouve não se consegue tirar os refrões da cabeça (afinal de contas é exactamente esse o objectivo da música pop). São aqueles refrões pastilha elástica típicos de BS, ficam colados e são difíceis de remover, aliados a melodias e ritmos contagiantes, que transpiram influências vindas do rock, do reggae e do funk (funk americano, não confundir com outro qualquer atentado à música). Apesar de também ter algumas músicas mais electrónicas, no seu conjunto é um álbum mais orgânico, conseguimos ouvir os instrumentos: o violão de "Just Like Me" é delicioso, e a voz de Britney está muito mais despida de efeitos.
Para quem gosta de música pop à moda antiga temperada com modernidade: comprem e ouçam Glory, vale muito a pena.

[Cont.]

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